Lições de O Chamado do Monstro

Quando criança, tenho certeza que todos nós acreditavamos em monstros. Formas bestiais que ganhavam olhos, tamanho e silhueta em qualquer lugar sem claridade. Passos que se arrastavam em meio ao silêncio da noite ou sussurros que pareciam acontecer somente em nossos ouvidos. Cada um de nós, sem saber, criávamos um monstro diferente.

Estes monstros nos contavam histórias. Ensinaram sobre não ter medo do escuro e que as sombras podem ser grandes aliadas em momentos do tédio à luz de velas. Talvez não conseguimos lembrar, mas todos eles foram embora sem se despedir, deixando apenas uma lição a ser lembrada.

Crescemos e ignoramos  tais criaturas, que aliás, este torna-se um dos grandes defeitos da vida adulta: a falta de fantasia, deixar-se de acreditar na ficção. Mas eles – os monstros – voltam a nos visitar, e mesmo que ignorados continuam a nos contar histórias sobre novos medos: as dores de uma irrecuperável perda, a rejeição por parte de alguém e, porque não, a falta do reconhecimento profissional e outras frustrações do cotidiano. Estes são alguns dos monstrinhos que circundam nosso dia a dia conforme o tempo caminha.

Esta foi a grande lição que aprendi com Conor O’Malley nas quase trezentas páginas de O Chamado do Monstro. Um adolescente que enfrenta os machucados da perda e a difícil tarefa de aprender a lidar com a verdade sobre, com o perdão da redundância, encontrar conforto em mentiras que encenamos para nós em razão da fobia de admitir a verdade. Porém, seus dias mudam com a visita do Monstro. Aquele que vai ensiná-lo a entender e admitir a verdade. A sua verdade.

É preciso olhar para dentro e reconhecer estes medos. Reconhecer os monstros e aprender com cada história que todos eles têm para nos contar. Deixar de acreditar no pequeno conforto que uma mentira pode criar, e por tão crua que seja, ficar bem consigo independente da verdade boa ou ruim para quem for dita. Ouvir e aprender com cada Fera que nos visitar dia após dia.

Para entender que assim como o próprio Monstro disse ao personagem do livro: “Não fui eu  quem apareci para ajudá-lo. Foi você quem me chamou”.

Leia o livro e ouça a cada monstro que decidir te visitar. 🙂

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